o que me irrita no euro é que é uma moeda fria. às vezes apetece-me dizer 1000 paus ou 5 contos, mas não posso, simplesmente porque ainda não inventaram calão para o euro. mas é bom que se invente rapidamente, porque isto já me começa a irritar. ok, esta fase foi a do estranhar, mas agora que já entranhámos, está na altura de se arranjar essa merda de calão, que já me está a rebentar a carótida de irritação. não tarda, entro numa de saudosismo e começo a enfileirar ao lado dos velhos salazarentos que querem o escudo de volta. mas eu não quero o escudo, a última coisa que me interessa é o escudo. o escudo é igual ao euro. o que interessa é todo um léxico que gravitava à volta do escudo e que ainda não existe para o euro e do qual tenho saudades. 100 paus, 500 mocas, já não se pode dizer isto, senão há logo um cabrão que diz “isso não faz sentido, agora estamos em euros”. tá bem, caralho, mas se fosses minimamente esperto percebias o que eu quero dizer. foda-se, há alturas em que me apetece despejar uma daquelas metralhadoras rotativas de balas infinitas no meu caro concidadão. eu quero o escudo de volta.
às vezes penso que fazemos de propósito para não aprendermos a fazer contas com os números grandes em euros, porque é o nosso último reduto de calão. é o nosso último balão de oxigénio. quanto é que custa essa casa? 30.000 contos. ah, oxigénio! ar puro. é o único sítio que ainda dá luta à frieza da moeda europeia. claro que muitos de nós sabemos que são 150.000 euros (outros não saberão mesmo), mas já que é o único sítio onde se pode respirar, aproveita-se.
nada contra o projecto europeu. acho até que tá ali uma coisa muito bem feita. pelo menos na ideia. a cena das fronteiras abertas e tal. é uma coisa de rara beleza. mas a cena da moeda ainda não está afinada.
já nem entro naquele palavreado ridículo dos pintores ou dos mel reis, apesar de terem o seu encanto para a palhaçada. mas preciso desesperadamente dos meus paus, das mocas, dos contos a torto e a direito. deixem-me respirar, caralho. senão bem que podem mandar o vosso projecto europeu cos porcos.
Saturday, December 5, 2009
Monday, November 23, 2009
Pornografia marroquina
Já sei o que é o porno dos marroquinos: vólei feminino. Liguei a televisão à uma da manhã de sábado e estava a dar um jogo de vólei feminino. Itália-Brasil, ou coisa que o valha, só sei que não envolvia a selecção de marrocos. E num primeiro momento de ingenuidade perguntei-me: mas por que raio estão a dar isto a esta hora? Depois lá me caiu a moeda. Coitados. Não se arranja melhor. Se em pleno Verão as mulheres se vestem assim na praia, o que é que eles hão-de fazer? E estamos a falar de vólei de pavilhão. O de praia deve ser hardcore e só passa em canal codificado. E como é que se chamará o canal? Playvoley? Uma coisa é certa, o vólei feminino é um desporto que eles acompanham com muito interesse em Marrocos. Por isso, se eu me quiser inteirar sobre o assunto, já sei a quem perguntar.
Wednesday, November 18, 2009
O que interessa é o presente
Diz-se que a memória é curta. E é verdade.
A prova disso é que no médico podemos estar a rogar pragas ao doutor por nos fazer esperar uma eternidade, e dizemos à recepcionista que vamos apresentar reclamação e ponderamos mesmo avançar com uma queixa para o tribunal europeu, mas assim que somos chamados esquecemos logo tudo. É uma alegria que nos invade o peito. É a nossa vez! É a nossa vez! E a recepcionista pergunta “não queria apresentar reclamação”. Ao que nós respondemos “ãh?”, com um sorriso de orelha a orelha. Só pensamos “é a minha vez, é a minha vez!” E já não ouvimos mais nada. Já não queremos saber de nada. É como se nos quiséssemos virar para o resto do pessoal na sala de espera e dizer, qual criança da primária “eu vou ser atendido e vocês nããão... nha nha nha nha, nha nha.” E depois apontando para as pessoas uma a uma: “Tu não vais ser atendida, tu não vais atendida. Eu vou ser atendido!” (dança e canta) “I can hear music, I can heeear muuusiiic” “Sr. Gustavo, o doutor chama.” “Ah, tá bem.” E quando chegamos à porta do consultório já somos todos sorrisos para o doutor. O doutor é o maior. Apetece encher de beijos o doutor. Ainda dizem que estamos acima dos outros animais. Somos uns cocker spaniels autênticos.
O mesmo se passa nos semáforos. O gajo da frente bem que pode demorar horas a arrancar no sinal verde, que a nossa opinião dele só está dependente de uma coisa: que a gente se safe. Se a gente se safar, nem que seja já com o sinal vermelho, todo o comportamento socialmente reprovável do indivíduo, como aspirar os tapetes do carro enquanto a gente espera que ele arranque e o insulta por todos os poros, é totalmente esquecido. Mas se a gente não se safar, ele é a maior besta do mundo e é por causa de pessoas como ele que o mundo está como está e isto assim não vai para a frente. É tudo uma cambada de egoístas e no tempo dos meus avós não era assim. É preciso fazer alguma coisa urgentemente.
É por isso que eu não acredito no comunismo. Por causa do semáforo. Porquê, não sei ao certo, mas algo me diz que há uma ligação extremamente directa semáforo-comunismo.
A prova disso é que no médico podemos estar a rogar pragas ao doutor por nos fazer esperar uma eternidade, e dizemos à recepcionista que vamos apresentar reclamação e ponderamos mesmo avançar com uma queixa para o tribunal europeu, mas assim que somos chamados esquecemos logo tudo. É uma alegria que nos invade o peito. É a nossa vez! É a nossa vez! E a recepcionista pergunta “não queria apresentar reclamação”. Ao que nós respondemos “ãh?”, com um sorriso de orelha a orelha. Só pensamos “é a minha vez, é a minha vez!” E já não ouvimos mais nada. Já não queremos saber de nada. É como se nos quiséssemos virar para o resto do pessoal na sala de espera e dizer, qual criança da primária “eu vou ser atendido e vocês nããão... nha nha nha nha, nha nha.” E depois apontando para as pessoas uma a uma: “Tu não vais ser atendida, tu não vais atendida. Eu vou ser atendido!” (dança e canta) “I can hear music, I can heeear muuusiiic” “Sr. Gustavo, o doutor chama.” “Ah, tá bem.” E quando chegamos à porta do consultório já somos todos sorrisos para o doutor. O doutor é o maior. Apetece encher de beijos o doutor. Ainda dizem que estamos acima dos outros animais. Somos uns cocker spaniels autênticos.
O mesmo se passa nos semáforos. O gajo da frente bem que pode demorar horas a arrancar no sinal verde, que a nossa opinião dele só está dependente de uma coisa: que a gente se safe. Se a gente se safar, nem que seja já com o sinal vermelho, todo o comportamento socialmente reprovável do indivíduo, como aspirar os tapetes do carro enquanto a gente espera que ele arranque e o insulta por todos os poros, é totalmente esquecido. Mas se a gente não se safar, ele é a maior besta do mundo e é por causa de pessoas como ele que o mundo está como está e isto assim não vai para a frente. É tudo uma cambada de egoístas e no tempo dos meus avós não era assim. É preciso fazer alguma coisa urgentemente.
É por isso que eu não acredito no comunismo. Por causa do semáforo. Porquê, não sei ao certo, mas algo me diz que há uma ligação extremamente directa semáforo-comunismo.
Conselhos para o marido modernaço
VEJA O VÍDEO DO POST ANTERIOR ANTES DE LER ISTO. SE NÃO QUISER, VEJA UM VÍDEO QUALQUER À SUA ESCOLHA. O IMPORTANTE É QUE VEJA UM VÍDEO.
Marido,
- Nunca abandones a tua mulher quando fores de férias.
- Se tiver mesmo de ser, tenta não fazê-lo à beira da estrada. Isso já está muito batido.
- Não dês sempre restos à tua mulher, de vez em quando compra-lhe uma lata de Pedigree Pal, para ela ficar mais contente.
- Leva a tua mulher a passear. As mulheres precisam de espaço; precisam de correr.
- Não te esqueças, és a cabeça da mulher, por isso tenta não te divorciar, ou vais sujeitá-la à terrível humilhação de andar por aí feita parva a espichar sangue por todo o lado, qual peru decapitado.
- Cuida da mulher como do teu corpo, põe-lhe after shave de vez em quando.
- Se a tua mulher te roer os chinelos dá-lhe uns açoites, para ela aprender.
Marido,
- Nunca abandones a tua mulher quando fores de férias.
- Se tiver mesmo de ser, tenta não fazê-lo à beira da estrada. Isso já está muito batido.
- Não dês sempre restos à tua mulher, de vez em quando compra-lhe uma lata de Pedigree Pal, para ela ficar mais contente.
- Leva a tua mulher a passear. As mulheres precisam de espaço; precisam de correr.
- Não te esqueças, és a cabeça da mulher, por isso tenta não te divorciar, ou vais sujeitá-la à terrível humilhação de andar por aí feita parva a espichar sangue por todo o lado, qual peru decapitado.
- Cuida da mulher como do teu corpo, põe-lhe after shave de vez em quando.
- Se a tua mulher te roer os chinelos dá-lhe uns açoites, para ela aprender.
Para os lados de Viseu, ainda este Verão
Cá está a prova de que a bíblia não é um livro desactualizado e ainda nos pode ensinar uma ou duas coisas bonitas.
E que bem que lê a pequena Tatiana.
E que bem que lê a pequena Tatiana.
Saturday, July 18, 2009
Intelectual de bairro
Quando a pessoa pensa que já tem uma razoável colecção de cromos e que já quase pode enviar o cupão para a Panini a pedir os 30 últimos, eis que surge um cromo raro.
Trata-se de um gajo pançudo, em tronco nu, num churrasco, que fala de Popper, Heisenberg e Espinoza. Um sujeito bem falante que disserta sobre Heidegger, Bertalanffy e Bohr enquanto destrói um pedaço de entrecosto e rebenta com uma fatia de entremeada. E quando chega a altura de acompanhar com a mini eis que dispara: “Já leste «O que é a vida» de Schrödinger?” O que é que uma pessoa faz perante isto? Há perguntas que nos paralisam como um dardo de curare. Bem, o que vale é que o visado desta interpelação não fui eu, foi um amigo meu, que parecia visivelmente perturbado com a pergunta. Não pela pergunta em si, mas por todo um contexto capaz de rebentar com qualquer caixa dos fusíveis numa só descarga. Nesse dia caíram-me vários mitos e preconceitos da intelectualidade. Um verdadeiro recorde pessoal. Afinal era possível discutir Popper, a isenção da ciência e a observação dedutiva com gordura a escorrer das beiças.
Contudo, fiquei um pouco desiludido, porque o sujeito revelou-se apenas um gordo repositório de teorias da conspiração. Nunca vi tanta teoria da conspiração por milissegundo. Impressionante. Aquilo parecia o contador da electricidade com os aquecimentos domésticos no máximo. Era uma atrás da outra. Queres uma teoria da conspiração sobre a introdução do chouriço no caldo verde? Ou porque a pasta de sardinha se chama Manná? Arranja-se. Não sei como é que alguém consegue sair à rua com um tal grau de paranóia. Ou sequer espreitar com os olhitos de fora dos lençóis. Mas ele parecia todo contente a derreter picanha e salsicha. E quando o meu amigo, sentindo-se obrigado a responder à pergunta schrödingeriana, sob pena de lhe ser arrancada a cabeça à dentada, teve a admirável coragem de confessar que por acaso até tinha lido e não concordava muito com as teorias do tal senhor – e assim que o faz tem imediatamente de se encolher, porque não se larga uma bomba destas a escassos centímetros de um tiranossauro sem esperar resposta – eis que o monstro, quando se esperava que lhe fosse abrir o crânio para raspar o cérebro e delamber os dedos, responde simplesmente: “Mas não é uma questão de concordar ou não. Não é uma questão de concordar ou não. O que interessa é a mensagem!”, diz o bicho mastodonticamente arregalado; de tal maneira, que o meu amigo até sentiu uma rajada de vento a trespassá-lo. Uma tirada cliché destas não se apanha todos os dias, mas eu ouvi-a, meus amigos, isso já ninguém me tira. Já vou para a campa de barriga cheia. De facto, há mensagens que não se discutem. Esperemos que ele não pense o mesmo do Mein Kampf.
Mas quando um gajo do churrasco em tronco nu fala a este nível, já estamos perante um passo evolutivo da humanidade.
Trata-se de um gajo pançudo, em tronco nu, num churrasco, que fala de Popper, Heisenberg e Espinoza. Um sujeito bem falante que disserta sobre Heidegger, Bertalanffy e Bohr enquanto destrói um pedaço de entrecosto e rebenta com uma fatia de entremeada. E quando chega a altura de acompanhar com a mini eis que dispara: “Já leste «O que é a vida» de Schrödinger?” O que é que uma pessoa faz perante isto? Há perguntas que nos paralisam como um dardo de curare. Bem, o que vale é que o visado desta interpelação não fui eu, foi um amigo meu, que parecia visivelmente perturbado com a pergunta. Não pela pergunta em si, mas por todo um contexto capaz de rebentar com qualquer caixa dos fusíveis numa só descarga. Nesse dia caíram-me vários mitos e preconceitos da intelectualidade. Um verdadeiro recorde pessoal. Afinal era possível discutir Popper, a isenção da ciência e a observação dedutiva com gordura a escorrer das beiças.
Contudo, fiquei um pouco desiludido, porque o sujeito revelou-se apenas um gordo repositório de teorias da conspiração. Nunca vi tanta teoria da conspiração por milissegundo. Impressionante. Aquilo parecia o contador da electricidade com os aquecimentos domésticos no máximo. Era uma atrás da outra. Queres uma teoria da conspiração sobre a introdução do chouriço no caldo verde? Ou porque a pasta de sardinha se chama Manná? Arranja-se. Não sei como é que alguém consegue sair à rua com um tal grau de paranóia. Ou sequer espreitar com os olhitos de fora dos lençóis. Mas ele parecia todo contente a derreter picanha e salsicha. E quando o meu amigo, sentindo-se obrigado a responder à pergunta schrödingeriana, sob pena de lhe ser arrancada a cabeça à dentada, teve a admirável coragem de confessar que por acaso até tinha lido e não concordava muito com as teorias do tal senhor – e assim que o faz tem imediatamente de se encolher, porque não se larga uma bomba destas a escassos centímetros de um tiranossauro sem esperar resposta – eis que o monstro, quando se esperava que lhe fosse abrir o crânio para raspar o cérebro e delamber os dedos, responde simplesmente: “Mas não é uma questão de concordar ou não. Não é uma questão de concordar ou não. O que interessa é a mensagem!”, diz o bicho mastodonticamente arregalado; de tal maneira, que o meu amigo até sentiu uma rajada de vento a trespassá-lo. Uma tirada cliché destas não se apanha todos os dias, mas eu ouvi-a, meus amigos, isso já ninguém me tira. Já vou para a campa de barriga cheia. De facto, há mensagens que não se discutem. Esperemos que ele não pense o mesmo do Mein Kampf.
Mas quando um gajo do churrasco em tronco nu fala a este nível, já estamos perante um passo evolutivo da humanidade.
Monday, June 1, 2009
Acabem-me com as séries de hospitais
Acho que qualquer série que apareça que não seja de hospitais, devia ganhar logo uma nomeação para os globos d'ouro. bjs.
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